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Qualidade da merenda: Ao questionar declaração de secretário de educação na internet, servidora é ignorada e bloqueada

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A servidora Edilaine Guimarães, que trabalha como merendeira da rede estadual desde 2010, usou uma postagem no facebook nesta quarta, 19, para questionar a qualidade do preparo da merenda escolar ao secretário estadual de educação, Jorge Carvalho. Em uma postagem pública feita pelo representante do governo, em seu próprio perfil na rede social, ele exaltou o cardápio do colégio Atheneu Sergipense, considerado centro de excelência dentre outras instituições da rede. “Cardápio do dia: Lanche (tangerina); Almoço (feijão, arroz, frango ensopado, salada vinagrete, purê, farinha e mamão)”, declarou o secretário.

Ao ver a publicação, Edilaine conta que questionou o representante do governo e explicou que a forma como foi divulgado o cardápio dava a entender que a merenda em geral era preparada com aquela qualidade. “Acho no mínimo de mau gosto postar a realidade de um colégio que é tratado com privilégios quando outros estão ruins”, declarou a servidora na internet. “Gostaria de saber por que em outras escolas estaduais não chegam os ingredientes para uma refeição como essa?”, disparou. “Enquanto aí comem vinagrete, do lado de cá temos sequer uma cebola para temperar o frango”, denunciou ainda.

Edilaine, que trabalha na Escola Estadual Carlos Firpo, na Barra dos Coqueiros, e que na prática cozinha para cerca de 50 alunos – quantitativo de estudantes que, de fato, comem todos as manhãs na escola – continuou confrontando o secretário, reafirmando que o cardápio das merendas é, na realidade, precário. “Chega arroz com larvas, macarrão sem ter molho de tomate, carnes sem complementos para o preparo. Não temos nem material de limpeza, levo pano de prato da minha casa, bucha para lavar louça. Quando os gestores não compram, eu compro detergente para lavar os pratos e panelas usados”, disse no texto.

Após a postagem, a servidora conta que seu comentário foi removido sem resposta e que foi bloqueada do perfil. “Ainda pensei que o secretário poderia responder no comentário e vir me chamar no bate-papo privado. Para mim, cabia ao secretário ter dado uma resposta educada, mas o que escrevi foi apagado e fui bloqueada”, lamentou.

Confira a postagem na íntegra:

 

 

 

 

 

 

Realidade da merenda

“O Atheneu é a ‘menina dos olhos’ do Governo”, alfinetou Edilaine, que ao SINTRASE afirmou que a realidade vivida por ela nas cozinhas do Estado se difere e muito do que foi mostrado pelo secretário. “Deixou de vir feijão há tempos por aqui. Hoje aparece o básico, que é arroz, macarrão, frango, carne do sol, óleo”, disse. Sobre o arroz com larvas que denunciou na internet, Edilaine afirma que não foi um caso isolado e que as servidoras fazem o possível para “limpar” os alimentos. “Mas não chego a comer ou experimentar porque não tenho coragem. Falo isso porque eu mesma vi esse tipo de coisa no alimento. Sou merendeira, mas não quero fazer a comida de qualquer jeito, mas infelizmente acaba acontecendo”, lamentou a servidora, que já trabalhou também nos municípios de Laranjeiras e Itabaiana.

Outra realidade apontada pela merendeira é o custeio de ingredientes ser feito muitas vezes pelos próprios servidores. “Já compramos caldo de carne e outros temperos com dinheiro do nosso bolso para cozinhar o que chegou, mas não dá para fazer isso sempre”, declarou, reafirmando que muitas vezes é o funcionário quem providencia alguns ingredientes. “A direção às vezes fornece algo que não chega da Secretaria, mas acontece de comprarmos também”, explicou.

Falta de organização

Outro problema corriqueiro retratado pela servidora é o de a escola receber determinados alimentos perecíveis em muita quantidade. “A falta de regularidade na distribuição dos alimentos pode causar prejuízo porque o estrago dessa comida ocorre mais rápido. Deveria ser fracionado”, disse Edilaine, que defende a organização do fornecimento dos alimentos para que não falte merenda em um dia e no outro, haja desperdício de comida, como já ocorreu. “Quando chega o pão, falta ingrediente para o recheio para um cachorro-quente. Já teve semana de o lanche ser somente suco”, exemplificou.

A merendeira ratifica ainda que esta falta de organização também ocasiona não só a falta de insumos básicos como também de utensílios. “Já tive de ir a minha casa pegar um processador para trazer para a escola e preparar o cachorro quente”, disse a merendeira, que afirmou que um pedido foi feito pela diretoria da escola em dezembro do ano passado para compra de novos utensílios, mas que até agora, nada foi providenciado.

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