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Na capital e interior: Estudantes denunciam caos da merenda escolar

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Após o recebimento de denúncias de estudantes do Colégio Estadual Alceu Amoroso Lima, localizado no bairro Aeroporto, em Aracaju, representantes do SINTRASE e do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Sergipe (Sintese) foram na manhã desta quinta, 19, para averiguar a situação da merenda escolar na instituição.

Entre as reclamações apuradas pelos sindicatos destacaram-se a falta de itens alimentícios e o mau preparo das refeições. “Ontem (18) mesmo não houve lanche pela manhã para todos (os alunos)”, reclamou uma estudante do 2º ano A. Outro aluno desta mesma turma confirmou. “A merenda nunca dá para todo mundo”, disse. As queixas recebidas partem principalmente das crianças, alunos mais novos do nível fundamental. “São estudantes carentes que moram em bairros próximos ao colégio, como Santa Tereza, Santa Maria, Conjunto 17 de Março e outros, que muitas vezes saem de casa para fazer uma única refeição na escola e quando chegam aqui, não encontram o que comer. Ou, quando encontram, a merenda é insuficiente na quantidade e na qualidade”, lamentou Erika Leite, delegada de base do SINTRASE e conselheira do Conselho de Alimentação Escolar (CAE).

Segundo a diretora do colégio, Maria Mirtes Ferreira, atualmente, uma só merendeira, que trabalha pela manhã, tenta dar conta das refeições de todos os alunos, dos três turnos de funcionamento da escola. “Pedíamos a uma servente da tarde para fazer o lanche, mas ela se acidentou e agora falamos com a merendeira da manhã para adiantar as refeições para os outros turnos”, revelou. A diretora também confirmou a informação de que há falta de alimentos para as crianças. “Isso está acontecendo em várias escolas, as que têm mais (alimentos) eles (da Secretaria de Estado da Educação/Seed) estão redistribuindo para onde acaba”, informou.

Uma aluna do 2º ano A aproveitou a presença do SINTRASE para contar que passou mal na manhã de ontem (18) porque estava com muita fome. “Eu não tinha comido nada e ontem não teve merenda pra gente. A minha barriga ‘tava’ doendo e a diretora ainda disse que isso era doença, e não fome”, contou chateada a estudante L., de oito anos, que afirmou ter ido para casa de barriga vazia. A professora da turma, que não quis ser identificada, confirmou, na ocasião, os relatos dos alunos, que reafirmaram em coro que três alunos choraram por não ter o que comer na manhã na última terça, 18.

E as reclamações dos alunos não param por aí. Além de não terem certeza quando vão ter merenda na escola, os estudantes também se queixam da forma como as refeições são feitas. “Quando tem almoço é só arroz e não dão carne. O mingau é aguado e o cuscuz é duro”, reclamou um estudante do 3º B. “Não tem nem copo para beber água”, disse o estudante A., de 12 anos.

Os estudantes também reclamaram de serem tratados com desrespeito pela diretora, que negou as declarações dos alunos. Os alunos afirmaram que a diretora muitas vezes proibia os estudantes de beber água e que ia dar suspensão em quem a desobedecesse. “Temos muitos relatos comuns e parecidos, de crianças que contam essas mesmas versões. É algo inaceitável e que vai ser apurado com rigor pelo Conselho”, informou Erika.

Outras denúncias

Na manhã da última terça, 18, foi a vez dos alunos do Colégio Estadual Manuel Bomfim, em Arauá, reivindicar o problema da merenda escolar. O protesto foi feito com a realização de um café da manhã na escola, elaborado por pais de alunos, estudantes, professores e equipe administrativa da escola.

“Em Arauá, os alunos reclamaram que, por falta de merenda, eles não têm condições de assistir as aulas e, por estarem muitas vezes bem fraquinhos, os próprios professores os levam em casa”, afirmou Erika. A delegada do SINTRASE também visitou nas últimas semanas escolas na DRE 7, especificamente em Gararu e Nossa Senhora de Lourdes. “O problema da falta de merenda é geral, infelizmente encontrado na grande maioria das escolas que estamos visitando. E aqui, no interior, não foi diferente”, destacou. “Os alunos são liberados cedo, a partir das 10h, por causa da fome, o que acaba comprometendo o aprendizado deles também, já que perdem as aulas após esse horário, na segunda metade da manhã”, declarou a coordenadora do SINTRASE, Elma Andrade, também presente no protesto em Arauá.

Segundo Erika, uma reunião está marcada no próximo dia 30 entre os representantes do CAE e a direção do Departamento de Alimentação Escolar (DAE), para viabilizar soluções para o descaso com a merenda. “Vamos levar as denúncias e detalhes das últimas visitas à reunião, para que o Conselho fique ciente do que anda acontecendo nas escolas da capital e interior, e tome as devidas providências o mais rápido possível. A educação em Sergipe se encontra num verdadeiro caos, seja em estrutura física das escolas, seja em salários, em índice de violência e também na falta de qualidade da merenda”, finalizou.

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Representantes de sindicatos visitam escola em Aracaju  e conversam com alunos sobre merenda escolar.

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Representantes de sindicatos visitam escola  em Aracaju e conversam com alunos sobre merenda escolar.

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Representantes  visitam escola  e conversam com alunos sobre merenda escolar. Reunião entre membros dos sindicatos, direção e professores do colégio, em Aracaju.

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