Nordeste pós-golpe registra as maiores taxas de desemprego e desalento do país

 

 

 

O Nordeste, que nos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff viveu o auge do desenvolvimento com geração de emprego e renda, registra os piores índices de desemprego, subutilização e desalento depois do golpe de 2016.

Quando Lula assumiu o governo, em 2002, apenas 4,8 milhões de trabalhadores e trabalhadoras nordestinos tinham emprego formal. No fim de 2015, eram 8,9 milhões.

Entre 2001 e 2012, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), o nordestino teve o maior ganho de renda entre todas as regiões do país, o que fez com que a participação da base da pirâmide social caísse de 66% para 45% – ou seja, mais de 20 milhões de pessoas deixaram a pobreza, segundo levantamento feito pelo blogueiro Maurício Ângelo. 

Depois do golpe, o quadro é trágico. Os dados da Pnad Contínua do primeiro trimestre de 2019, divulgados nesta quinta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a situação dos nordestinos hoje voltou a ser parecida com a que era antes de Lula assumir a presidência da República.

A taxa de desemprego no país, de 12,7%, atinge 13,4 milhões de trabalhadores e trabalhadoras dos 26 estados e do Distrito Federal. Mas, entre os estados com as maiores taxas tem sempre um do Nordeste: na Bahia, a taxa de desemprego atinge 18,3%.

Em comparação com o restante do país, o Nordeste também tem mais trabalhadores desalentados, aqueles que cansaram de procurar emprego depois de muito tentar e não encontrar nenhuma oportunidade. Dos 4,8 milhões de desalentados em todo o Brasil no 1º trimestre de 2019, 1,3 milhão são nordestinos – 768 mil são baianos e 561 maranhenses.

Outro recorde negativo do Nordeste depois do golpe é o número de trabalhadores no setor privado sem carteira assinada. Do total de 11,1 milhões de brasileiros sem carteira assinada, 49,5% são do Maranhão e 47,8% são do Piauí, estados que também registraram os menores percentuais de trabalhadores com carteira assinada: 50,3% e 25,5%, respectivamente.

No Brasil, 74,7% dos empregados no setor privado tinham carteira de trabalho assinada contra 75,5% no mesmo trimestre do ano anterior. As regiões Norte (60,9%) e Nordeste (59,0%) tinham os menores percentuais; e a região Sul (83,9%), o maior.

Por conta própria

No 1º trimestre de 2019, 91,9 milhões de brasileiros estavam ocupados, sendo 67% empregados, 4,8% empregadores, 25,9% trabalhando por conta própria e 2,4% auxiliando trabalho de familiares.

Nas regiões Norte (33,7%) e Nordeste (29,3%), o percentual de pessoas por conta própria ultrapassou o das demais regiões do país: Amazonas (35,5%), Pará (35,1%) e Amapá (33,8%).

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