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NOTA SINTRASE – RESPOSTA AO CINFORM (Edição 1725 – 2 a 8 de maio de 2016)

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O Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços Públicos do Estado de Sergipe (SINTRASE) recebeu com indignação a edição do Cinform desta semana (2 a 8 de maio de 2016), que traz o editorial intitulado “Não poupam as crianças”, cujo texto faz referência à paralisação dos servidores estaduais, base representada por este sindicato.

Na coluna, o jornal declara diretamente que a culpa pela falta de merenda para estudantes da rede estadual, em especial no Bairro Santa Maria, se dá porque não há merendeiras nas escolas. Para piorar, o jornal, de forma bastante desonesta, acusa o SINTRASE de fazer piquete para impedir que merendeiras adentrem nas escolas e façam o seu trabalho. É importante deixar claro que esta informação não é verdadeira, pois este sindicato em nenhum momento da greve fez este tipo de intervenção. As ações durante a paralisação, entre atos e assembleias, foram amplamente divulgadas à imprensa, desmentindo facilmente a declaração publicada. O sindicato entende que este jornal, por ser um veículo de comunicação, tem o dever de apurar com responsabilidade os fatos e não inventar acontecimentos para denegrir a imagem de uma entidade e toda sua luta sindical.

O SINTRASE não concorda quando o jornal afirma que a greve “pune crianças” e que uma entidade representativa – neste caso, a nota faz referência a este sindicato – possa, através de uma greve, “causar embaraços e problema para o conjunto da sociedade”. O SINTRASE também repudia a informação que esta entidade quer “emparedar o Governo e obrigá-lo a aceitar suas condições”. Este nunca foi o objetivo da greve ou de qualquer forma de luta do trabalhador. O sindicato lamenta que uma paralisação possa causar transtornos à sociedade, mas é importante apontar que a deflagração de uma greve se dá em último caso, quando uma categoria esgota as suas opções de diálogo e paciência. Por isso, é bem verdade quando a nota afirma que a sociedade como um todo é prejudicada e, no meio deste cenário lesado, seria adequado e justo também inserir os servidores estaduais, os conhecidos “arraia-miúda”, pois estes sobrevivem há anos com um salário vergonhoso e inconstitucional, abaixo do mínimo vigente, e sofrem há bastante tempo com o “prejuízo” ao qual o texto faz referência.

A prática do SINTRASE – focando, neste caso, na briga pela implementação do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV) – se pautou pela luta jurídica e por manifestações pacíficas, que sempre respeitaram os preceitos da Lei. Na última greve da categoria, por exemplo, no segundo semestre de 2015 (que durou mais de 60 dias), o Estado pediu a ilegalidade do movimento grevista e esta foi negada pela Justiça de Sergipe, algo não tão comum nos movimentos sindicais no estado. Já na greve deste ano, os servidores pararam por quase três meses e a greve não foi em nenhum momento decretada ilegal, o que contradiz as declarações do jornal.

O sindicato, como diz erroneamente a nota, não tem o poder de decidir se crianças devem se alimentar ou não, como se refere o periódico quanto à falta de merenda. Não é novidade para a sociedade e, certamente para a imprensa, o caos da merenda escolar estadual e todos os outros problemas que os alunos da rede enfrentam. É desonesto e se torna bastante conivente com o Governo do Estado este jornal colocar a culpa do mau fornecimento de um serviço público em uma entidade sindical. Além disso, o Cinform, ao reportar a greve como “canalhice”, age com falta de respeito não só com o sindicato, mas ofende milhares de trabalhadores públicos que vivem em situações absurdas e que estão buscando o que lhe é de direito, através de uma luta amparada por lei, mesmo sofrendo por muitas vezes retaliações e descontos salariais arbitrários.

Por fim, a liderança sindical do SINTRASE não condena ninguém a “viver mal sem nem se alimentar”, como citado na nota. Não faz parte da luta de uma entidade que represente um servidor, por mais diferentes objetivos ideológicos e categorias que ele tenha ou represente, condenar um trabalhador a viver mal, como foi colocado de forma maldosa. O servidor estadual sergipano, que recebe menos de um salário mínimo por mês teria, inclusive, total propriedade neste quesito, pois convive com salários irrisórios, atrasos e adiamentos dos pagamentos e ausência de reposição salarial há mais de três anos.

O SINTRASE lamenta que um Estado desrespeite o seu quadro de servidores, ao mesmo tempo em que culpa uma categoria já tão marginalizada, como as merendeiras estaduais, tentando, de forma desonesta, colocar a opinião pública contra a greve. O sindicato também lamenta que, ainda diante deste cenário, um meio de comunicação com a abrangência deste jornal possa utilizar de inverdades e invenções para desmoralizar a luta dos trabalhadores públicos sergipanos.

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